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Qual é um benefício?
- O Processo de Gerenciamento de Benefícios
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Os Princípios de Gerenciamento de Benefícios
- Princípio 1 – Alinhar Benefícios com a Estratégia
- Princípio 2 – Comece com o Fim em Mente
- Princípio 3 – Utilize Métodos de Entrega Bem-Sucedidos
- Princípio 4 – Integrar Benefícios com Gestão de Desempenho
- Princípio 5 – Gerenciar Benefícios de uma perspectiva de Portfólio
- Princípio 6 – Aplicar Governança Eficaz
- Princípio 7 – Desenvolver uma Cultura de Valor
- Melhore sua compreensão da gestão de benefícios
Qual é um benefício?
Benefícios são definidos como as melhorias mensuráveis provenientes de mudanças, que são percebidas como positivas por uma ou mais partes interessadas, e que contribuem para objetivos organizacionais (incluindo estratégicos). Esta definição destaca quatro pontos cruciais:
- Primeiro, benefícios representam uma melhoria mensurável - benefícios tipicamente incluem: aumento de receita ou redução de custos; atendimento a um requisito legal ou regulamentário; manutenção de sistemas e ativos atuais e assim evitando as consequências negativas de sua falha; e melhoria de serviços ou resultados, ou redução de riscos para sua realização. Em cada caso, a melhoria deve ser mensurável – para que possamos avaliar se vale a pena investir recursos dos contribuintes ou acionistas para realizar os benefícios e, oportunamente, determinar se os benefícios planejados foram realmente realizados na prática.
- Segundo, alguém recebe o benefício – tipicamente a própria organização ou seus clientes; e no setor público, grupos de cidadãos ou a sociedade em geral. Este ponto é crucial, pois significa:
- Para determinar a escala ou valor de um benefício, precisamos envolver não a equipe do projeto, mas sim o destinatário do benefício ou proprietário do benefício – mais sobre isso abaixo; e
- A ênfase na gestão de benefícios é menos no rastreamento passivo e retrospectivo contra previsões e mais no engajamento ativo e prospectivo das partes interessadas ao longo do ciclo de vida do projeto.
- Terceiro, benefícios representam as melhorias mensuráveis que demonstram que objetivos organizacionais e estratégicos foram alcançados. Como o PMI afirma, "Benefícios de projeto podem ser considerados sinônimos de impactos estratégicos positivos". Isso é de importância fundamental – não devemos começar com o projeto e explorar quais benefícios podem ser realizados; ao contrário, devemos começar determinando quais benefícios são necessários e então definir o escopo do projeto ou programa para entregar esses benefícios.
- Quarto, a definição acima não se refere a projetos, mas a mudança. De fato, como o Praxis Framework afirma, "A realização de benefícios é a força motriz por trás de qualquer projeto, programa ou portfólio." Para enfatizar o ponto – benefícios são a justificativa para investimento em projetos, programas e portfólios, não os meios para justificar um projeto ou programa.
O Processo de Gerenciamento de Benefícios
Este processo é ilustrado na Figura 1 – observando que, embora as práticas constituintes sejam amplamente sequenciais, sua operação eficaz requer ciclos de feedback iterativos ao longo de todo o processo.
Vamos examinar essas cinco práticas com um pouco mais de detalhes.
Identificar e Quantificar:
Aqui estamos preocupados com abordagens para identificar benefícios (incluindo através do mapeamento de benefícios) bem como prever a escala de melhoria antecipada. Infelizmente, pesquisas indicam que os benefícios são frequentemente superestimados para obter financiamento. As soluções incluem: começar com o fim em mente; validar os benefícios com os proprietários dos benefícios; e registrar os benefícios em orçamentos, metas de desempenho etc – mais sobre essas soluções abaixo.
Avalie e Valorize:
Isso abrange análise de opções, avaliação de investimentos e priorização de portfólio para garantir que os recursos sejam alocados para aqueles projetos que individualmente e coletivamente representem o melhor custo-benefício/retorno sobre investimento.
Plano:
Tendo identificado, quantificado, valorado e avaliado os benefícios para confirmar a justificativa para o investimento, precisamos planejar sua realização. Isso inclui garantir responsabilização e transparência para a realização dos benefícios identificados, as mudanças das quais dependem, mitigação de quaisquer desvantagens e identificação e aproveitamento de benefícios emergentes (não planejados). Os principais documentos de planejamento de benefícios são:
- Estratégia de Gestão de Benefícios – o documento que descreve como os benefícios serão gerenciados em um projeto ou programa;
- Perfil de Benefício - um resumo breve dos dados principais sobre um benefício: o tipo/categoria do benefício, escala de impacto, aceleração e desaceleração, proprietário do benefício e medida(s) relevante(s);
- Registro de Benefícios – que reúne os perfis de benefícios em um único documento); e
- Plano de Realização de Benefícios - mostrando a trajetória para a realização de benefícios do projeto. Este plano então fornece a linha de base contra a qual a realização de benefícios será acompanhada e monitorada.
Realizar:
Otimizando a realização de benefícios na prática ao rastrear e gerenciar ativamente os benefícios planejados até sua realização; capturando e aproveitando benefícios emergentes (não planejados); e minimizando e mitigando quaisquer prejuízos. O rastreamento da realização de benefícios é algo com que muitos lutam na prática, mas pode ser facilitado por:
- Transparência sobre qual é o benefício e como ele será medido;
- Um relatório de painel comparando benefícios previstos com benefícios realizados; e
- Foco nos 3 principais benefícios de cada projeto (uma aplicação da regra 80:20 ou Princípio de Pareto).
Avaliação:
Revisão ao longo do ciclo de vida do projeto, garantindo e assegurando que:
- Os benefícios a serem realizados são alcançáveis e continuam a representar custo-benefício;
- Arranjos apropriados foram feitos para monitoramento, gestão e avaliação de benefícios;
- A realização de benefícios é efetivamente gerenciada; e
- Lições são aprendidas tanto para o projeto atual quanto como base para práticas de gestão de benefícios mais eficazes em geral.
Práticas definidas não são, no entanto, uma solução 'milagrosa'. Na verdade, o Boston Consulting Group relatou que com relação à gestão de benefícios, "O interesse é alto, mas poucos estão fazendo bem". Abordar isso depende da aderência a uma série de princípios que representam os fundamentos sobre os quais a gestão bem-sucedida de benefícios é construída.
Os Princípios de Gerenciamento de Benefícios
Os princípios que fundamentam a gestão eficaz de benefícios são mostrados nas colunas do modelo na Figura 2.
Vamos examinar esses sete princípios em mais detalhes.
Princípio 1 – Alinhar Benefícios com a Estratégia
Observamos acima que benefícios são as melhorias mensuráveis decorrentes de mudanças que contribuem para objetivos organizacionais (incluindo estratégicos).
Compreender a contribuição de projetos para os objetivos da organização está, consequentemente, no centro da gestão de benefícios. Isso é facilitado pelo desenvolvimento de uma estrutura de categorização de benefícios em todo o portfólio que fornece uma 'linha de visão clara' da intenção estratégica aos benefícios do projeto e vice-versa – o que o IPA chama de 'rastreabilidade bidirecional'. Mas é crucial observar que, como diz o PMI, "Não existe um esquema de categorização padrão para benefícios. Cada organização precisa definir e concordar com as categorias de benefícios que são importantes para uma realização bem-sucedida."
Princípio 2 – Comece com o Fim em Mente
Um erro comum é começar com um determinado projeto e depois buscar benefícios que resultarão desse projeto. O resultado é tipicamente esforço desperdiçado no gerenciamento de benefícios que são superestimados para obter financiamento.
A solução é adotar iniciativas de mudança orientadas por benefícios que começam com o fim em mente, onde o escopo da iniciativa é determinado pelos benefícios necessários.
Como Flyvbjerg e Gardner dizem, "Projetos não são objetivos em si mesmos. Projetos são como os objetivos são alcançados." Então, ao completar um mapa de benefícios como parte da prática de identificar e quantificar, comece com o problema que você está tentando resolver ou a oportunidade a ser explorada. Então pergunte quais benefícios seriam realizados se o problema fosse resolvido. Só então considere qual deveria ser o escopo da iniciativa – como ilustrado na Figura 4.
Princípio 3 – Utilize Métodos de Entrega Bem-Sucedidos
Se as iniciativas de mudança não forem entregues de forma eficaz, ou se forem entregues com atraso, haverá inevitavelmente impactos adversos na realização dos benefícios. Consequentemente, métodos disciplinados e repetíveis de entrega de projetos e programas são facilitadores para a realização de benefícios. Além disso, atenção também precisa ser dada a estratégias como:
- Um portão de início rigoroso para configurar as coisas corretamente desde o começo.
- Seguir o conselho de Flyvbjerg e Gardner para 'Construir com Lego' - aplicando abordagens modulares e incrementais de entrega.
- Garantir que os projetos sejam o que Cooper chama de 'carregados no front-end', com planejamento, design e desenvolvimento robustos. Os resultados são impressionantes – de acordo com o IPA: "projetos que focaram no carregamento do front-end retiram tempo e custo de um cronograma. Eles são tipicamente 20% mais baratos e 10–15% mais rápidos que projetos médios e consideravelmente mais rápidos e de menor custo que projetos mal definidos."
Princípio 4 – Integrar Benefícios com Gestão de Desempenho
Sempre que possível, os benefícios e suas medidas devem ser integrados aos sistemas de gestão de desempenho operacional e de Recursos Humanos (RH) da organização. Isso inclui:
- Gestão de desempenho operacional
- Vincular as medidas de benefícios aos indicadores-chave de desempenho (KPIs) da organização e fazer uso dos dados disponíveis no sistema de informações gerenciais para minimizar os custos adicionais de novos sistemas de medição para acompanhar e reportar a realização de benefícios; e
- Incorporar benefícios nos planos de negócios e orçamentos. Esta é a técnica de 'reservar os benefícios', onde os benefícios são refletidos em orçamentos revisados, metas de headcount, custos unitários e planos e metas de desempenho.
- Gestão de desempenho de RH
- Alinhar as responsabilidades pela gestão de benefícios com os objetivos de desempenho individuais – para que haja clareza sobre pelo que as pessoas são responsáveis e prestam contas, incluindo a implementação das mudanças das quais depende a realização de benefícios; e
- Alinhar as responsabilidades pela gestão de benefícios com os processos de recompensa e reconhecimento. Recompensas financeiras nem sempre são a melhor forma de motivar pessoas, mas inconsistências entre comportamentos desejados e os sistemas de recompensa e reconhecimento da organização podem ser um obstáculo real ao progresso porque enviam mensagens contraditórias sobre o que é considerado importante.
Princípio 5 – Gerenciar Benefícios de uma perspectiva de Portfólio
Desenvolver uma abordagem de portfólio para o gerenciamento de benefícios ajuda a garantir:
- Alinhamento consistente dos projetos com os objetivos do portfólio.
- Boas práticas que sejam repetíveis em todos os projetos.
- A contagem dupla, onde os mesmos benefícios são reivindicados e usados para justificar mais de uma iniciativa, seja minimizada.
- Lições sejam aprendidas e aplicadas de forma mais ampla.
- A realização dos benefícios seja otimizada.
Uma abordagem baseada em portfólio para o gerenciamento de benefícios abrange seis elementos principais:
- Regras consistentes de elegibilidade de benefícios sobre como os benefícios são categorizados, quantificados, avaliados e validados, facilitando assim a avaliação de investimentos em condições equitativas, a priorização do portfólio e o acompanhamento da realização dos benefícios.
- Um plano de realização de benefícios em nível de portfólio mostrando os benefícios a serem realizados durante o próximo período de planejamento, analisados por: categoria de benefício; as partes interessadas/unidade de negócio que irão recebê-los; e impacto analisado por mês ou por trimestre.
- Reavaliação dos benefícios do projeto em portões regulares de estágio/fase - a boa prática é aplicar a técnica de 'liberação escalonada de financiamento', onde o financiamento para cada fase do projeto só é confirmado quando a revisão do portão relevante é aprovada com sucesso – e o financiamento é limitado ao necessário para levar a iniciativa até a próxima revisão.
- Acordos eficazes para gerenciar benefícios após o encerramento da iniciativa – em muitos casos, os benefícios só são realizados após a conclusão do projeto. Uma abordagem de portfólio pode ajudar a abordar isso garantindo a transferência adequada de responsabilidade para o proprietário apropriado do benefício (apoiado pelo gerente de benefícios do portfólio), e incluindo benefícios de iniciativas encerradas no plano de realização de benefícios do portfólio e no painel/relatório de progresso dos benefícios.
- Acompanhamento e relatórios de benefícios em nível de portfólio - através do uso de um painel/relatório de progresso dos benefícios do portfólio, que permite supervisão eficaz da alta administração sobre a realização dos benefícios em relação ao plano e determinar quando ação corretiva é necessária.
- Revisões robustas pós-implementação - permitindo que lições aprendidas sejam identificadas e aplicadas, bem como capturando dados de classe de referência para informar previsões sobre novas iniciativas.
Princípio 6 – Aplicar Governança Eficaz
O gerenciamento eficaz de benefícios exige que os conselhos de projeto, programa e portfólio se concentrem não apenas na entrega, mas na realização de benefícios. Além da supervisão do conselho, de uma perspectiva de gerenciamento e realização de benefícios, os principais papéis envolvidos são:
- Patrocinador da Iniciativa - o indivíduo responsável por um projeto atingir seus objetivos e otimizar a realização de benefícios.
- Proprietários de Benefícios – que são responsáveis pela realização de benefícios individuais. Exemplos de proprietários de benefícios são mostrados na Tabela 1.
- Gerentes de Benefícios - geralmente integrados ao escritório de gerenciamento de projeto, programa e/ou portfólio que fornecem um serviço de suporte à realização de benefícios para patrocinadores e proprietários de benefícios.
Tabela 1 Exemplos de proprietários de benefícios
| Exemplos de Benefícios | Potencial Proprietário de Benefício |
|---|---|
| Benefícios financeiros que liberam caixa | O responsável pelo orçamento ou diretor financeiro |
| Melhorias de eficiência que não liberam caixa e não resultam em redução orçamentária, como economia de tempo de funcionários realocada para outras atividades | Os chefes das unidades de negócio relevantes onde as melhorias de eficiência foram reinvestidas (para confirmar as melhorias mensuráveis realizadas como resultado do tempo realocado) |
| Benefícios quantitativos e qualitativos não financeiros que contribuem para objetivos estratégicos | O proprietário relevante da estratégia / objetivo estratégico / indicador-chave de desempenho |
| Benefícios quantitativos e qualitativos não financeiros que contribuem para melhorias na quantidade ou qualidade do serviço | O diretor de operações relevante ou gerente sênior responsável pelo desempenho do negócio |
| Benefícios quantitativos e qualitativos não financeiros que contribuem para redução de riscos | O proprietário de risco relevante |
| Benefícios quantitativos e qualitativos não financeiros que contribuem para benefícios ao cliente | O cliente por engajamento direto, grupos focais, ou quem quer que seja na organização responsável pelo engajamento do cliente ou o gerente de conta para esse grupo específico de clientes |
O Escritório de Gerenciamento de Portfólio Empresarial (EPMO) também tem um papel crucial a desempenhar – Iain Fraser, ex-Presidente do Conselho de Diretores do PMI diz que eles, "podem ser os campeões de benefícios em nome de cada organização. Abraçar a construção, comparação, confirmação e conclusão de benefícios de cada investimento pode auxiliar grandemente em trazer dados de desempenho integrados ao nível da estrutura organizacional que é apropriado. O EPMO está idealmente posicionado para ser o conduíte para a implantação do BRM e sua sustentabilidade."
Princípio 7 – Desenvolver uma Cultura de Valor
Gerenciar benefícios efetivamente requer uma mudança de uma cultura centrada na entrega, onde o foco está em entregar capacidade dentro dos padrões de tempo, custo e qualidade, para uma cultura centrada no valor, onde o foco principal está em otimizar a realização de benefícios e o retorno sobre o investimento dos recursos disponíveis.
Isso pode ser facilitado primeiro reconhecendo que a implementação bem-sucedida do gerenciamento de benefícios é um programa de mudança empresarial por si só. Segundo, não seja muito impaciente. Novos comportamentos não acontecerão da noite para o dia, mas se os processos de gerenciamento de benefícios forem aplicados de forma consistente, apoiados por uma governança focada na realização de benefícios, então a mudança comportamental seguirá.
Melhore sua compreensão da gestão de benefícios
Orientações abrangentes são fornecidas na mais recente e totalmente atualizada 3ª edição de Managing Benefits (2024).
A APMG também oferece um esquema de certificação que permite aos profissionais de projeto demonstrar sua compreensão e capacidade de aplicar os princípios, práticas e técnicas de gestão de benefícios.
Conclusões
- Os benefícios não são apenas uma dimensão do gerenciamento de portfólio, programa e projetos; na verdade, eles são a justificativa para o investimento de recursos de contribuintes e acionistas em iniciativas de mudança.
- Os benefícios são a ligação entre os objetivos do portfólio e projetos individuais – como tal, eles representam medidas consistentes e personalizadas de contribuição estratégica.
- O Gerenciamento de Benefícios é uma prática ativa de engajamento de stakeholders voltada para o futuro, não um exercício passivo voltado para o passado focado em justificar o projeto.